Quinta-feira, 30 de Julho de 2009

Primeira Fanfiction do Blog - "Renascer" por Laúnn - Continuação

Olá...

Bem está na altura de postar mais um pouco da fanfic de Laúnn! 

Esperemos que gostem, e, não se esqueçam, os comentários são sempre muito bem-vindos!

 

 

Capítulo 16 – Um irmão.

 

Quando soube que a minha vida estaria acabada assim que a onda passasse por cima de mim, uns braços fortes e rápidos trouxeram-me de volta à areia.

Tudo isto acontecera rápido demais, e todos os movimentos à minha volta pareciam apenas diferentes focos de luz.

Na verdade, eu até estaria grata por ter levado com a onda, se pudesse ter conseguido aproximar-me mais dele, se lhe tivesse conseguido tocar e sentir a sua pele, a pele única dele.

Alguém se agitava ao pé de mim e parecia assustado com a minha inércia. Eu podia deduzir quem era, mas a minha cabeça estava ainda a tentar preservar a miragem de Edward.

- Bella… estás bem? Fala comigo! – suplicava Jake, enquanto me agitava os ombros com força.

Eu tinha de dizer alguma coisa – não queria deixar Jacob preocupado.

- Eu estou bem… - murmurei apenas com um sorriso, revendo a doce visão.

Ele não relaxou do seu nervosismo e ofegou ruidosamente.

- O que é que estavas a pensar?! Não viste a água? O que é que te deu na cabeça????

Eu enfrentei-o com o meu olhar mais feroz. O que é que me tinha dado?! Ele não via? Ele não via a felicidade que invadia a minha cara naquele momento? A felicidade que tinha tomado o meu coração e que o fazia bater mais alto agora que ouvira voz de Edward?

- Responde-me Bella!!!
Não, ele não via.

Ele não via… porque eu agira como uma louca. Eu tinha feito o mesmo que qualquer pessoa menos consciente faria, o que um drogado faria. Eu tinha ido ao encontro do meu vício, sem me importar com o resto… sem me importar com o que os que me amam poderiam sentir.

Eu suspirei. Era tão fácil para Edward subjugar-me… mesmo quando não estava realmente presente.

Olhei para Jake a meu lado, ainda a observar-me com um olhar preocupado e desconfiado, como se temesse uma reacção semelhante àquela de novo.

Eu olhei para ele e compus a minha cara num sorriso agradecido.

- Obrigada, Jake… Não sei o que teria acontecido se não fosses tu…

Ele enrugou a testa, ainda mais apreensivo.
- Porque é que o fizeste, Bella? Porquê?

Eu senti que devia mentir, brincar um pouco com a situação, pois isso diminuiria a dor de Jake e também porque era impossível não me irritar com o meu melhor amigo quando ele começava a falar a sério.

- Eu fui andando, distraída… nem reparei na força das ondas… Desculpa. Acho que estou tão habituada a que cuidem de mim que, quando estou sozinha só faço asneiras.

Ele não disse nada por um pouco de tempo, mas depois sorriu e arrematou.

- É o que dá ser protegida por lobisomens.

- Sim… mais vale ser protegida por seres peludos do que ser atacada por eles.

Jake riu ruidosamente mas depois calou-se.

Eu suspirei e enquanto observava as ondas, senti o olhar dele a queimar na minha face.

- Eu detesto quando me olhas assim, Jacob Black. – atirei eu, mesmo sem olhar para confirmar que ele me fitava.

- Talvez se fosses sincera comigo, Bella, eu não tivesse a necessidade de te olhar assim… - rematou ele.

- Okay – bufei – o que queres saber?
Ele movimentou-se, virando-se de frente para mim.
- Quero saber se ainda pensas nele.

A pergunta atingiu-me o estômago e fez-me baixar a cabeça. Que triste pergunta para se fazer… Se eu pensava nele? Todos os segundos desta minha inerte e morta vida.

- Sim. Sim, Jake, ainda penso. – dizer aquilo custava ainda mais do que pensar.

Era quase tão doloroso como dizer o nome de Edward, ou de qualquer um dos Cullen. Era como ter a certeza de que ele partira… para nunca mais voltar.

Enrolei os braços à volta das pernas e coloquei levemente a mão direita sobre o coração, como que para saber se ainda estava viva. Fazia aquilo frequentemente, sempre que pensava nele. Precisava de sentir o meu coração bater, para saber que não tinha morrido no dia em que ele se fora.

 As ondas agora pareciam ter amansado, depois daquele ataque violento de fúria e eu fitava-as experimentando mais uma vez a tentação de saltar para dentro do mar e revê-lo tão nitidamente como antes.

O braço escuro de Jake puxou o meu braço direito e fez-me aproximar mais dele.

- Eu já te disse que não gosto quando te agarras assim… - suspirou ele, com desgosto na face. – Eu estou aqui para te proteger de tudo… sabes disso.

Jake olhava-me… não… encarava-me com o seu olhar mais cálido e sério. Parecia sentir necessidade de que eu percebesse aquilo, que eu entendesse que nada me iria prejudicar se eu ficasse com ele.

Eu sorri. Claro, que mais poderia eu fazer? Ele estava praticamente a declarar-se! Não era o momento certo para o trazer à realidade em que eu amava outra pessoa eternamente!

Calei o meu coração quando ele bateu um pouco mais forte do que o costume ao ouvir o que Jake dissera. Ultimamente, era assim… o coração batia e eu ignorava (ou pelo menos tentava ignorar ao máximo) o que ele me fazia sentir.

Até era melhor… O meu coração tinha muitas vezes a necessidade de sentir saudades do… bem, dele, e fazia-me sofrer. Ou então, quando Jake dizia aquelas coisas, ele batia mais forte e tentava fazer-me esquecer … bem, esquecê-lo.

Mas eu não queria. Eu não queria esquece-lo, nunca!
Ele tinha sido e seria sempre o único amor da minha vida.

O melhor mesmo era manter o meu coração calado, fingir que ele não existia.

Jake olhava-me enquanto eu pensava no quanto me estava a tornar insensível quanto ao que eu deveria sentir…

Olhei de soslaio para o meu melhor amigo e ele nem sequer fingiu não olhar. Parecia concentrado, com aquela sua rugazinha entre as sobrancelhas negras como os seus cabelos.

Não pude deixar de reparar no quanto ele ficava bonito assim… Jake, o meu irmão-lobo, irmão-amigo, irmão-protector… Um dia, quando ele finalmente conseguisse esquecer aquela paixoneta por mim, ele certamente encontraria uma rapariga digna que o amasse como ele merecia. Talvez até tivesse uma impressão com ela e conseguissem viver felizes para sempre. Eu podia até vê-lo de mãos dadas com essa menina-mulher, pronunciando juras eternas de amor.

Apesar de o amar profundamente e de só lhe desejar o melhor, aquela ideia abalou-me um pouco e eu não fui capaz de sorrir perante ela…

E se a mulher de Jake não fosse assim tão boa, e o fizesse sofrer, sofrer como ele nunca tinha sofrido? E se ela o magoasse e o abandonasse? Se ela o fizesse sofrer tanto ao ponto de ele se esquecer que ainda estava vivo?

 Não, eu não queria isso para Jake… Ele não merecia o mesmo destino que eu tive! Eu voltei a olhar para o mar e senti o estômago apertar-se devido a um outro motivo pelo qual eu não queria que ele conhecesse alguém…

Jake, na sua felicidade de homem, perdido nos braços quentes de uma mulher apaixonada, a quem dedicaria todos os dias do resto da sua vida, esquecer-me-ia. Esqueceria que eu, magoada, ferida, ainda o esperava, como amigo que ele era e seria, num lugar qualquer… Que eu choraria só de pensar que tinha sido passada para trás… colocada em segundo plano…

Imaginei por breves momentos, um futuro em que me via às portas do sofrimento mais doloroso a chamar por Jacob Black, algo que já estava habituada a fazer, e ele não aparecia…

Na minha barriga, senti o pequeno almoço dar duas voltas… Jake esquecer-me-ia um dia, na sua felicidade eterna.

Eu senti nojo. Nojo da vida que eu levava e na qual, no passado, nunca me imaginara viver… vida de morta-viva, ou então simplesmente, vida de morta. Nojo da pena que eu fazia os outros sentirem só de olharem para mim, como se eu fosse um barco perdido naquela turbulência do mar, uma pena que doía, uma atenção da qual eu fugira toda a minha vida… Nojo de mim, por desejar que Jake nunca fosse feliz – feliz como eu nunca mais seria - para que não me esquecesse. Eu queria congela-lo na minha tristeza, obriga-lo a viver o meu sofrimento diário e constante… eu queria que ele deixasse de ter vida própria…

Como é que eu me tinha tornado nisto? Como é que eu tinha deixado esta tristeza me mudar ao ponto de já nem eu me reconhecer… ao ponto de já não me interessar pelos outros… por Jake?

- Vamos, Bella? – perguntou o fruto dos meus pensamentos, ao levantar-se estendendo uma mão grande para me ajudar a imita-lo.

Aquela mão… ele queria apoiar-me, defender-me, proteger-me…

E eu, só queria que ele abdicasse da felicidade para ficar comigo, onde a melancolia estaria presente para sempre e onde eu nunca passaria da sua amiga Bella?

 

 

Continua...

publicado por Diana às 12:59

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4 comentários:
De M.r.M. a 30 de Julho de 2009 às 13:39
Bem... entre o gostei e gostei fico'me pelo adorei.

A tua fanfic está um espectáculo. Parabéns
De Priscila a 31 de Julho de 2009 às 20:59
Boa noite :)

A tua fanfic nao me desiludiu , continua assim ;)

Tenho apenas que dizer que a personagem da Bella nunca seria egoísta a esse ponto, ela põe a felicidade de todos sempre em primeiro lugar. É o único pormenor a apontar.

*****
De Alice a 5 de Agosto de 2009 às 12:57
Parece que o simples facto de ter ido de férias trouxe histórias extraordinárias. Parabens e continua a escrever.
De Maria a 14 de Agosto de 2009 às 15:12
Bem... isto está a ficar o máximo, estou a adorar as alterações, e tu escreves muito bem.

Parabéns, estou anciosa pela continuação

Maria V.

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