Terça-feira, 28 de Julho de 2009

História da Diana - Versão Completa!

Olá!

Hoje trago-vos a versão completa da história da Diana Margarido! Não é bem completa, pois tem continuação, mas é maior que a que postei...

Espero que gostem, e não se esqueçam de que a Diana adora críticas e precisa delas...

 

 

 

 

Outra noite sem dormir, começava a tornar-se uma rotina, o meu ritmo cardíaco estava mais acelerado do que o normal, permanecera assim desde terça-feira, dia em que acabaram as aulas, a ultima vez que o vi.

A noite passada, a primeira esta semana consegui finalmente dormir, sem sonhar é certo mas descansei creio eu pois ainda sentia o corpo cansado e os olhos pesados, talvez o banho quente e o leite morno tenham surtido algum efeito. Não me lembro de quantas horas dormi esta semana, poucas, é tudo que me recordo.

O som ampliado do meu coração no colchão tornava o silêncio do meu quarto ainda mais monótono, esse facto irritava-me. Peguei no mp4 que estava na mesinha de cabeceira ao meu lado, não possuía a carga completa mas deveria chegar. Liguei-o impaciente e coloquei na faixa 95 (Carter Burwell-the score) uma música constituída apenas pela bela melodia do piano, distinguem-se dois sons, um tocado nas notas mais graves e que eu tendia a prestar atenção, era mórbido e repetitivo, soava tal qual a banda sonora dum filme de terror, sabia-a de cor, o outro, som mais agudo, irregular e que fazia o meu coração acelerar, tentei exclui-lo totalmente da peça, ainda me deixava mais agitada.

Desde terça-feira que me sinto vazia no sentido total da palavra, ele trazia luz á minha vida, ele era e é a minha vida mas agora que está longe tudo me parece tão simples, tão normal, nunca me vira neste estado antes, a minha sanidade mental (que já era pouca) encontrava-se agora em estado critico, perdida devia ser o termo mais adequado.

Sinto-me perdida, não sei para onde me virar o tempo é tão escasso, tudo é tão vago, limitado, repleto de fronteiras e termos, não seria mais fácil fazer simplesmente aquilo que nos torna realmente felizes sem pensar no amanha, aproveitar o que a vida nos dá, esquecer o destino.

Eu sabia que todos os momentos passados com Andrew, o único rapaz que amei até hoje, tinham sido em vão, estava consciente que algum dia a minha felicidade iria chegar ao fim, só não esperava que fosse num futuro tão próximo.

Na terça-feira era o último dia de aulas e eu esperava passa-lo com Andrew, ele iria mudar de escola, já tinha terminado o décimo segundo ano e por isso partia para a universidade, que ficava fora da cidade. Andrew dissera-me há cerca de dois meses que devido á mudança não nos poderíamos encontrar tantas vezes como as desejadas porque o trajecto era longo, nunca mencionou o facto de a nossa relação ter que terminar naquele mesmo dia, nunca mencionou que não o voltaria a ver, mas foi exactamente isso que aconteceu.

Naquela manha apesar de ter acordado bem-disposta sentia o sofrimento a corroer-me nas entranhas, a cabeça a mil há hora e o coração, bem esse já nem o sentia.

Levantei-me num ápice e corri para o chuveiro, precisava urgentemente de um banho para me acalmar e colocar as ideias em ordem, vesti as calças de ganga do costume e uma camisola lilás, peguei na mochila e sai a correr de casa sem dar importância aos avisos da minha mãe mas que devem ter sido deste género “Anne vai com calma! Ainda cais. Olha os cordões! Já tomaste o pequeno-almoço? Anne!” tudo isto fazia parte da minha rotina matinal todo e qualquer tipo de aviso que a minha mãe me dava já era habitual e como tal não ligava a metade, a minha mãe sabia que os últimos dias de aulas para mim costumavam ser um sacrifício eu repelia as despedidas fosse qual fosse o motivo, detestava o fim.

Calma era tudo o que não conseguia ter naquele momento, sentia tudo, o pulsar do meu coração no peito, o sangue a correr-me nas veias os passarinhos a chilrear no cimo das árvores.

Cheguei finalmente ao portão da escola e lá estava ele á minhas espera, resplandecente como sempre, envergava uma camisola branca com o decote em bico e uns jeans, os raios de sol reflectidos no seu cabelo ainda o tornavam mais perfeito, o meu anjo, eram aqueles momentos em que eu tinha a certeza que ele era meu.

Beijou-me a testa e sorriu, após um segundo se silêncio disse finalmente.

-Anne, precisamos de falar – ao contrário de mim ele apresentava um olhar calmo e sereno apesar de a sua voz mostrar um laivo de ansiedade.

Eu já previa o tema da nossa conversa e sabia o que me esperava, respirei fundo e por fim proferi.

-Sim – Esforcei-me para manter o meu tom de voz ao seu nível normal, sabia que era difícil pois naquele momento toda eu estava repleta de emoções.

Como ainda disponhamos de algum tempo fomos dar uma volta para perto da praia, Andrew entrelaçou as suas mãos nas minhas e caminhamos até junto do areal.

Sentia mil e uma coisas a passarem-me pela cabeça, eu sabia que o tema da nossa conversa seria a partida dele mas porque estaria a fazer aquilo agora? Ainda tínhamos cerca de 3 meses até ele ter que sair da cidade. Porque é que tinha ele escolhido aquele local? Havia tantas coisas que lhe queria perguntar mas não estava capaz disso, preferi permanecer sem respostas, Andrew iniciou o discurso.

- Anne eu sei que já tínhamos falado disto antes – 1,2,3, respira Anne, respira – Avisei-te há um tempo atrás que teria de me ausentar da cidade para ir para a faculdade mas surgiu um imprevisto e vou ter que me embora mais cedo.

-Mais cedo? Quando é mais cedo? – Agora não conseguia evitar o medo patente na minha voz, o meu coração palpitava tão depressa que sentia que me ia fugir do peito a qualquer momento.

-Amanha! – A voz de Andrew quebrou o meu choque e um sopro de ar quente trouxe-me de novo á realidade.

-Amanha? Mas, mas, mas como é que? Andrew, NÃO!

- Anne, têm calma escuta-me. – Calma? Mas ele está louco? – Nós não podemos continuar juntos, o que sinto por ti mudou, sinto falta de algo mais.

Não respondi, estava demasiado magoada, como se me tivesse arrancado o coração do peito naquele mesmo momento, senti apenas a areia ainda fria através do tecido das calças, Andrew levantou-me do chão e abraçou-me e beijou-me a testa pela última vez, olhei-o fixamente, ele olhou-me também. Senti a cor fugir-me do rosto, as pernas a enfraquecer, estava fria, gelada, sentia um zumbido na cabeça deixei-me cair novamente no areal, Andrew virou-se e saiu dali, o som dos seus passos dissipou-se á medida que se afastava.

Eu permanecia ali, deitada no chão sem saber o que fazer, sem reagir. Chamei por ele mas não se ouviu um único ruído, nem sequer o vento.

Desde então nunca mais tive notícias dele, a sua casa fora abandonada, tudo tinha desaparecido como se de um sonho se tratasse.

Passaram-se dois meses após a partida de Andrew, dois longos meses que me mostram um lado tão diferente de mim, a Anne que sempre fora tinha ficado enterrada naquela praia juntamente com a minha alma, aquela menina doce e simpática desapareceu, os seus olhos que brilhavam cintilantes ao ver o rosto perfeito do amado mostravam-se agora negros como carvão devido as lágrimas derramadas e todas elas por ele, por alguém que me abandonou e me deixou desamparada no mundo, protegida apenas por uma barreira de dor e tristeza.

Mais tempo passou e a dor foi divagando com ele, o sentimento que antes sentia por Andrew começava agora a desvanecer-se. Antes da partida o meu mundo sem Andrew era inimaginável cada vez que tentava ponderar a hipótese de viver sem ele era como se o meu pequeno planeta se desmoronasse, como se as estrelas deixassem de iluminar o grande céu á noite, era como viver num mundo sem ar. Agora, são apenas memórias que se vão dissipando da minha mente a cada segundo.

A separação de Andrew tornou-me fria como um grande bloco de gelo no meu de um glaciar, congelado como todos os outros ou pelo menos era isso que tentava aparentar, a velha Anne ainda estava escondida no meu interior mais profundo e era essa que arrecadava com toda a dor e raiva era essa Anne que se sentia um pequeno cubinho de gelo numa erupção vulcânica frágil e impotente, era essa Anne que eu sentia todos os dias ao lembrar-me que tinha perdido o grande amor da minha vida, que simplesmente o tinha deixado ir, essa parte era a que mais me revoltava, eu tinha-o deixado partir eu não lutei por ele, deixei-o ir.

Tentava enganar-me a mim própria com memórias antigas, agarrava-me agora em aproveitar as poucas semanas de férias mas a minha mente vagueava em lembranças e imagens que voltam sempre ao mesmo, Andrew.

 
“Something always brings me back to you.
It never takes too long.

No matter what I say or do I'll still feel you here 'til the moment I'm gone.

You hold me without touch.
You keep me without chains.

I never wanted anything so much than to drown in your love and not feel your rain.

Set me free, leave me be. I don't want to fall another moment into your gravity.

Here I am and I stand so tall, just the way I'm supposed to be.

But you're on to me and all over me.
Something always brings me back to you.
It never takes too long.”
 

(Sara Bareilles-gravity)

Numa das manhãs em que estava sentada no chão do meu quarto, a tentar não pensar, tentar esquecer por um momento o presente e o passado encontrei esta música no meu mp4 e ajudou-me a tomar uma decisão definitiva e muito importante na minha vida, a mais importante até agora nos meus dezassete anos de existência. Eu iria recuperar Andrew, não podia terminar assim, precisava pelo menos de uma boa explicação para ele me ter deixado de forma tão brutal, eu iria encontrá-lo simplesmente porque ainda o amo.

 
 
 
CONTINUA…

publicado por Diana às 12:15

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6 comentários:
De M.r.M. a 28 de Julho de 2009 às 16:00
Ela gosta de criticas e de criticar : P [ E agora tenho a certeza que quando ela vir o meu comentário que me ainda vai chatear ainda mais lol]

Eu GOSTEI muito!!

: P

Continua a escrever [ chata (lol)]

Bjus
De Dianne a 29 de Julho de 2009 às 11:01
Eu já te disse para não abusares da sorte pah!
vais ver....
De M.r.M. a 29 de Julho de 2009 às 11:16
Deixa lá!

Isso passa quando cresceres lol!

Mas agora a sério... eu gostei mesmo do teu texto.
De Maria a 29 de Julho de 2009 às 18:36
Adorei, a tua história, parece-me tão real, e a mensagem que tentas deixar neste excerto parece-me bem visivel, adorei mesmo.

Continua,
Maria V.
De Dianne a 30 de Julho de 2009 às 13:57
tá caladinho que tu é que inda leste mais que toda a gente portanto shó =p
De Priscila a 31 de Julho de 2009 às 21:15
Mais uma história que continua a não desiludir, aliás, acho que até melhorou. No meu ponto de vista é notória uma melhoria a nível da escrita e expressão dos sentimentos.

Continua assim =)

*****

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