Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

"My Story" por Priscila Magalhães - Continuação

Olá...

Bem, aqui vai mais um bocado da tão expectante história da Priscila...

Enjoy! 

  

*

 

 

 

Acordei sobressaltada até me aperceber que o barulho irritante e incessante provinha do despertador que rugia desesperadamente sobre a minha prateleira. Afastei os lençóis e cobertores que me protegiam e o frio atingiu-me, percorrendo-me o corpo e fazendo com que a minha pele se arrepiasse. Conduzi o meu corpo até ao despertador e desliguei-o. Recuei o exacto número de passos que tinha dado e voltei a cobrir-me com as mantas. Estiquei, tanto os braços como as pernas, alongando os músculos e estalando as articulações, deixando escapar pela boca um longo bocejo.

               Pela janela do meu quarto podia ver-se que ainda faltava algum tempo para a alvorada, mas não me sentia cansada, apenas com um pouco de má disposição por ter que madrugar. Sem grande vontade, levantei-me da cama a custo, deixando para trás o conforto e calor dos lençóis que me rodeavam o corpo.

 

 

Dirigi-me à casa de banho, que estava inserida no quarto, directamente ao lavatório para passar água sobre o rosto. Apressei-me a secá-lo e arrisquei uma olhadela rápida ao espelho em frente. O meu cabelo estava indomável, mas não dispunha de tempo para o voltar a lavar agora. Rodei as torneiras do meu polibã. Enquanto esperava que a água aquecesse, despi o meu pijama e pendurei-o num cabide destinado para o efeito. Prendi o cabelo com um elástico, para não o molhar, e entrei. A água já se encontrava a uma temperatura agradável. Passei o corpo pela água quente rapidamente e espalhei o gel de banho. Sem perder um minuto, ensaboei-me e enrolei-me na minha toalha de banho. Voltei ao quarto, protegida do frio pela toalha, e enquanto me secava, escolhia mentalmente a roupa que iria vestir.

 

 

O céu encontrava-se carregado de nuvens cinzentas, prestes a chover, provavelmente. Assim que me acabei de secar, vesti rapidamente a minha roupa interior e tirei do meu armário, em frente à cama, uma camisa branca com plissados no peito e umas calças de ganga de um tom azulado, vestindo as peças de seguida. Calcei umas meias e depois as minhas botas negras que me conferiam mais cinco centímetros de altura, mas com um andar tão confortável como qualquer sapato raso. Sobre a camisa, vesti ainda um casaco negro com capuz, que me dava pelo joelho, que retirei da cadeira em frente à secretária situada do lado esquerdo da minha cama. Observei-me no espelho de corpo inteiro que se encontrava ao lado do armário. Tirei o elástico do cabelo e prendi algumas madeixas onduladas com ganchos simples, conferindo-lhe um ar apanhado mas solto simultaneamente. Agarrei a minha mala, que tinha arrumado na noite anterior, e dirigi-me ao piso de baixo.

 

 

Abri uma das portas do meu frigorífico de inox e retirei um pacote de leite, pousando-o na bancada central da cozinha. Dirigi-me a um dos armários e retirei a minha caixa de cereais e uma taça de cerâmica, tirando por último uma colher da primeira gaveta. Sentei-me à bancada num banco alto e comi os meus cereais com alguma pressa. Quando acabei, arrumei tudo o que tinha tirado do lugar e dirigi-me novamente ao andar de cima para lavar os dentes e dar uma última vista de olhos ao meu reflexo. Deixei a quietude do interior de casa e dirigi-me à paragem de autocarro.

 

 

A chuva caía copiosamente. O céu, de um tom cinzento carregado, transmitia, com perfeição, o meu estado de espírito. Sentada, na paragem deserta, à espera do autocarro que insistia em não chegar, observava a chuva embater no asfalto ao longo de todo o seu comprimento, com um som ritmado e furioso, como se esta quisesse perfurar o alcatrão. Para além deste, o único som que os meus ouvidos conseguiam alcançar não ia além da minha respiração regular.

 

 

Esperava-me, ainda, uma viagem de autocarro com quarenta minutos de duração, uma desvantagem de não morar no centro da cidade. No entanto, existiam inúmeras vantagens; a privacidade, o silêncio total, uma vista maravilhosa de todas as janelas de casa. Mas quando penso no longo caminho que me espera até à escola, esqueço por completo todos os pontos positivos.

 

Os meus devaneios foram interrompidos com o som de passos a serem projectados para o vazio e ecoarem no nada. O som provocado pelo seu andar, ainda que silencioso, adiantou-se ao seu corpo. O barulho de um ténis a pisar uma poça, que depressa se tornou no som de borracha molhada em movimento.

 

 

Continua...

 

publicado por Diana às 23:00

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