Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

"Esmeralda" por Maria V. - Continuação

Olá...

Bem está na altura de postar mais um pouco da história fantástica da Maria V.

Não deixem de comentar as histórias deste blog...

 

Capítulo 2

Exame
 

Respirei o mais fundo que pude, enchi-me de coragem, – valor que nunca tive na vida – ergui a cabeça e dirigi-me à entrada da minha maior tortura.

Por momentos fiquei confusa, o edifício era enorme e eu não me lembrava para corredor haveria de ir, haviam demasiados pensamentos inúteis dentro da minha mente que me impediam de pensar no que realmente era importante.

Os corredores compridos de paredes douradas, agora pareciam-me demasiado longos, como que se para me confundirem, se tivessem transformado num enorme labirinto que me impedia de encarar o que eu mais temia.

- Emme! – exclamou uma voz suave, vinda de trás de mim.

- Olá Olívia! – fiquei tão feliz por vê-la, não que tivesse motivos para estar feliz naquele momento, mas ela alegrava-me sempre, fazia-me sempre feliz até mesmo quando o mundo desabava sobre mim.

Talvez ela fosse a minha salvação, – mais uma vez - talvez me fosse levar dali.

Sempre que eu precisava dela ela estava lá, - mesmo que eu não precisasse ela estava lá em todos os momentos - e apesar de ser errado, eu tinha a esperança que ela pegasse na minha mão e me levasse para longe.

O seu cabelo loiro comprido, brilhava com a luz do sol que aquecia Castellerne e os seus olhos azuis safiras estavam cintilantes.

Não consegui não sorrir perante a sua felicidade, aquela criatura encantava-me incessantemente com a sua luz.

- Acreditas que o Josh me vai levar a viajar durante o fim-de-semana para fora de Reinesland?

- Que bom! Isso é fantástico. – tentei parecer muito interessada, mas ela conhecia-me tão bem , conhecia cada expressão do meu rosto como se fosse o seu, por isso não a consegui enganar.

- Bem, bem. O que se passa? – colocou a mão na anca e bateu o pé.

- Hum… - suspirei – Não sei onde é o meu exame. – encolhi os ombros. Não estava minimamente interessada em saber onde era e esperava seriamente que ela também não se lembrasse.

            - Sempre a mesma cabeça na lua. É por aqui. Anda.

            Ela pegava na minha mão, - levando-me quase a reboque - e a sua pele fria em contacto com a minha, transmitia-me uma certa calma que julguei não ser possível naquele momento. Percorremos o corredor principal em silêncio. Ela sabia que não me apetecia falar, tal como sabia que não me apetecia estar ali.

- E agora, direita ou esquerda? – perguntei confusa. Como era possível não me lembrar para que corredor haveria de ir na minha própria escola que já frequentava há dois anos?

- Direita, sala 30, lá ao fundo. Agora é contigo querida, sabes que não posso ir para esse corredor destinado inteiramente a escuridão. Boa sorte. – disse dando-me um beijo na testa. Teve que se por em bicos de pés para o fazer, e eu tive que baixar ligeiramente a cabeça. Ela era muito pequenina, muito mais que eu que já não era muito alta. Media um metro e sessenta e três e ela media cerca de um metro e cinquenta e dois centímetros, o que até se tornava engraçado.

- Adeus, vemo-nos depois. – esbocei um sorriso um tanto constrangido e vi-a desaparecer graciosamente pela porta de entrada.

Olhei por cima do meu ombro e estremeci ao ver o corredor escuro e vazio atrás de mim. A aguardar-me…

Percorri-o devagar, com uma lentidão exagerada até, mas o meus pés não se conseguiam movimentar mais depressa. Eu estava muito receosa em relação ao que me esperava de seguida e as batidas do meu coração aceleravam à medida que me aproximava da porta da sala.

Era nestas alturas que eu desejava que a Olívia estudasse magia negra, para me puder acompanhar ao longo do extenso corredor até a sala, como uma mãe quando leva o seu filho à escola no primeiro dia de aulas.

Mas ela já nem frequentava a escola, tinha concluído a sua formação há dois meses quando completou o seu décimo oitavo aniversário e agora já era “poderosa” – apesar de ainda estar a aperfeiçoar os seus poderes e a aprender a utilizá-los correctamente.

            Coloquei a mão quente no puxador da porta, estava frio. Um arrepio gelado percorreu toda a minha coluna. Respirei tão fundo que o ar pareceu cortar a minha garganta enquanto chegava aos meus pulmões. Enchi-me de coragem e abri a porta lentamente.

            O professor Zimmer já estava à minha espera, sentado à secretária onde estavam três caixas pretas.

            - Sê bem-vinda Emmily. Estás pronta? – perguntou, sorrindo.

            Que raiva! Porque é que tínhamos que fazer os exames numa sala, sozinhos com o professor? Era desagradável e ainda mais assustador.

            - Escolhe uma caixa. – ordenou.

            Apontei com o indicador esquerdo para a caixa do meio. A minha garganta queimava e não me permitia falar.

            - Muito bem. – fez uma pausa antes de recomeçar - Emmily, quando se estuda magia negra é se constantemente presenciado pela palavra luz. A Luz é o maior inimigo da Escuridão, por isso, tu, como tantos outros são constantemente treinados para destruí-la. Terás de destruir a criatura que se encontra aqui dentro. Sabes as palavras a proferir, por isso… Boa sorte. – disse com um sorriso malicioso.

            Oh não, eu estava com medo, e esperava que a humidade nos meus olhos não me denunciasse.

            Do interior da caixa saiu um anjo, de asas brancas e compridas. Era tão belo, tão perfeito… fiquei a olhá-lo petrificada com um ar tolo, encantada com tanta beleza. Como é que alguém seria capaz de destruir tal criatura?

            Não sei por quanto tempo fiquei a contemplá-lo ofuscada pela sua magia.

            - Raios Emmily! – gritou o professor Zimmer ao perceber que eu não me ia mexer nem um centímetro para destruir o anjo.

            Como eu não o fiz ele fê-lo. Proferiu duas palavra rapidamente “Rarious-Inar” e o anjo desapareceu num abrir e fechar de olhos.

            - Emmily, a Luz é tua inimiga! É teu dever destruí-la! – a sua voz estava enraivecida – Um dia irás enfrentar o Exército da Luz, e acredita que não vai ser tão fácil de destruir como foi este simples anjinho. E sabes o que acontece se não tiveres preparada?

            Não respondi, tinha o nó na garganta que me sufocava cada vez mais.

            - Morrerás! – respondeu à sua própria pergunta.

            Mas porque é que ele me estava a dizer tudo aquilo, já tinha ouvido o que ele me estava a dizer vezes sem conta. Já sabia de tudo, apenas não queria fazê-lo. Não era capaz de fazê-lo.

            Quando o meu corpo recuperou as forças, fugi dali o mais depressa que pude. As lágrimas corriam-me umas atrás de outras e eu soluçava à medida que tentava fazer as pernas correrem corredor fora, desejando que tudo não tivesse passado de outro pesadelo, e que quando acordasse algo de bom iluminasse o meu caminho.

           
 
 

 Continua...

publicado por Diana às 22:26

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2 comentários:
De Priscila a 23 de Junho de 2009 às 12:08
Bom dia =)

Mais uma vez adorei a tua história Maria, acho realmente que tens futuro neste meio, parece-me que o fazes inatamente. Espero que o resto da tua história esteja tão bom como o que temos vindo até agora. Aguardo ansiosamente pela continuação =)

*****
De Priscila a 28 de Junho de 2009 às 13:45
correção: Espero que o resto da tua história esteja tão bom como o que temos *visto* até agora

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