Sábado, 20 de Junho de 2009

"My Story" por Priscila Magalhães - Continuação

Olá...

Bom aqui vai um bocado da história emocionante da Priscila...

Esta rapariga deixa-me sempre a desejar por mais!

Esperemos que gostem... 

 

 

*

A voz soou-me mais alta do que o desejado, mas o efeito foi exactamente o que queria provocar.

- O que pensas que estás a fazer? – gritei para Kevin.

Todos os que se encontravam na rua a fazer as mudanças sobressaltaram-se com o meu inesperado berro a romper o silêncio da rua deserta que os rodeava. Kevin, reconhecendo a minha voz, virou imediatamente a cabeça para me encarar, proferindo para os restantes que eu era uma amiga e que eles poderiam retomar o trabalho. Passou a caixa que trazia a um dos trabalhadores e dirigiu-se a mim apressadamente. Eu devia estar com uma expressão de meter medo ao susto, pois quando ele me dirigiu a palavra, fê-lo com muito cuidado.

- Então o que te trás por cá? – tentou dizer em tom de graça.

- O que pensas que estás a fazer? – repeti, desta vez com o volume muito mais baixo, quase um sussurro, como se as minhas forças me abandonassem e o meu corpo fosse ceder a qualquer momento.

Vendo o farrapo em que me encontrava, abriu os braços e eu não consegui dizer que não a tal convite. Reduzi a distância que nos separava e rodeei o seu peito com os meus braços, apertando-o.

A nossa diferença de alturas era algo significativa. Eu não era propriamente baixa, rondava um metro e sessenta e oito centímetros mas Kevin batia-me por cerca de doze centímetros, alcançando um metro e oitenta. Encostei a minha cabeça ao seu ombro e sem conseguir controlar, chorei. Chorei sem ele me interromper. Não sei quanto tempo o fiz mas ele não mostrou sinais de impaciência. Esperou que eu me recompusesse para voltar a falar.

- Desculpa não te ter avisado com antecedência que me ia embora mas não reuni coragem suficiente para o fazer. Não sabia como te dizer isso porque sabia que irias reagir desta forma e a última coisa que quero é ser eu a pôr-te a chorar.

Olhei-o directamente nos seus olhos esverdeados.

                - Porque é que te vais embora? – perguntei sem conseguir conter uma lágrima que percorreu a minha bochecha direita.

                - A faculdade é um pouco longe daqui e tu sabes como são aqui os autocarros, menos que nenhuns. Só o tempo que perco em transportes chega às três horas diariamente e eu não me posso dar ao luxo de desperdiçar tempo precioso.

O que ele dizia fazia todo o sentido, eu também sabia quanto tempo demorava só até chegar à minha escola.

- E já têm alguém interessado em comprar a casa?

- Já. Aliás, eu pedi aos meus pais que esperassem até que alguém tivesse interessado para nos mudarmos porque sabia que esta mudança não ia ser agradável nem para ti nem para mim. Portanto tentei adiar este momento o máximo que consegui.

- Para que zona vais?

- Consegui arranjar um apartamento com quatro assoalhadas a três quarteirões de distância da faculdade. Agora até posso ir a pé.

Riu-se. E sem conseguir conter, ri-me com ele. Era a única pessoa neste mundo que me conseguia fazer rir nas situações mais inoportunas e embaraçosas. Soube-me bem. Já não me lembrava há quanto tempo não me ria assim. Será que tinha sido assim há tanto tempo? Talvez não. Mas o tempo ultimamente parecia correr mais devagar que a normalidade. Tinha sido apenas ontem que me tinha acontecido algo que tentava desesperadamente esquecer mas, desde o dia anterior, o sofrimento fora em tão imensa quantidade e intensidade que parecia durar à uma eternidade.

- Precisas de ajuda com algumas caixas? – ofereci.

 
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Acordei sábado mais tarde do que era meu hábito devido a ter ficado na noite anterior a pé até tarde a ajudar Kevin com as mudanças.

Passei o fim-de-semana sem grandes acontecimentos. O sol que tinha sorrido durante toda a semana começou, lentamente, a ser tapado pelas nuvens carregadas de chuva, chuva essa que começou a embater contra as telhas domingo de madrugada, acordando-me do meu sono leve mas tranquilo.

 Levantei-me, sem real noção do que estava a fazer, e dirigi-me à cozinha, descendo as escadas com cuidado. Abri a porta de um dos armários superiores, tirando, em seguida, um pacote de bolachas com pepitas de chocolate. Mastiguei lentamente cerca de cinco bolachas e, sentindo o meu estômago satisfeito, fui de volta ao meu quarto sem querer saber que horas eram. Deitei-me e, em pouco tempo, caí na inconsciência uma vez mais.

 

 

Continua...

publicado por Diana às 12:31

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2 comentários:
De Maria a 20 de Junho de 2009 às 18:43
Está tão... bonita.
Escreves tão bem que nos consegues fazer seentir a história.
Adorei
De Fábio a 25 de Junho de 2009 às 01:00
Li as duas últimas partes de seguida, Conseguiste cativar-me ainda mais que na primeira parte.
O enredo é interessante e parece-me muito bem planeado.
Continua o bom trabalho.
Beijinho :)

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