Segunda-feira, 15 de Junho de 2009

"Esmeralda" por Maria V. - Continuação

Olá...

Bem, aqui vai a continuação da famosa história da Maria -  "Esmeralda".

Este é o 1º capítulo, esperemos que gostem, eu mal posso esperar por mais! Não se esqueçam de lerem antes o prefácio se ainda não o leram.

Não deixem de criticar...

 

 

 

 

 Capítulo 1

 

 

 

 
Pesadelo
 

Os meus olhos estavam arregalados, a minha respiração acelerava à medida que eu tentava correr cada vez mais depressa.

O desespero invadia-me, torturando-me fortemente.

Os meus pés moviam-se cada vez mais devagar e apesar de saber que tinha de sair dali, não queria. Não podia.

Os meus pais estavam ali e eu não podia deixá-los, mas eles gritavam-me para fugir.

“Porquê? O que se passava? Para onde é que eles queriam que eu fosse e porque é que me estavam a mandar embora?”

Eu sabia que devia fugir, algo de mal ia acontecer.

Então eu tentei correr ao longo da floresta, escura e fria, tropeçando nos troncos e arbustos humedecidos pele chuva, mas os meus pés mal se moviam, por mais que eu me esforçasse eles não saiam do mesmo lugar

As lágrimas da minha mãe corriam-lhe pelo rosto empalidecido e angustiado, e o meu pai….Oh o meu pai! O meu pai não tinha qualquer expressão, mas os seu olhos verdes inundavam de preocupação, de desespero.

- Foge Emmily! Corre! – gritava a minha mãe entre soluços. – Oh minha princesa, minha Emme, tens que sair daqui, não deixes que ele te faça mal querida, és mais forte do que pensas.

- Corre! – a voz do meu pai transmitia fúria, havia qualquer coisa que o estava a magoar , e eu não sabia o quê.

“Ele? Quem era Ele? Eles queriam que eu fugisse dele para me salvar, e eles? Salvar-se-iam? Mas quem era o homem a quem eles se referiam?”

Eu queria fechar os olhos e fingir que nada daquilo estava a acontecer mas por outro lado não era essa a minha vontade.

Todo o meu ser queria correr para junto dos meus pais e abraçá-los com todas as minhas forças. Eu não conseguia suportar tal sofrimento. Eu queria sofrer com eles, sofrer por eles.

Não era justo perdê-los.

De repente, eles desapareceram e tudo ficou escuro.

Os meus olhos doíam-me quando os comecei a abrir lentamente. Apercebi-me de que estavam húmidos tal como a minha almofada.

 

Tinha estado a chorar…

- Oh não, outro pesadelo – murmurei para mim quase com a voz a falhar-me.

Isto não podia continuar, já se passara um ano desde a morte dos meus pais, e a partir daí, nunca mais tive um sono completamente descansado. Estes sonhos eram frequentes, e apesar de serem sempre muito diferentes, todos eles tinham um ponto em comum. Em todos eles, os meus pais diziam para fugir dele.

Eu não sabia a quem eles se referiam, mas tenho a certeza que ele era a criatura que tinha morto os meus pais e eu ia descobrir quem era.

Pelo menos, um dia…

Afastei estas ideias dos meus pensamentos e tentei concentrar-me no que realmente era importante, o meu exame de magia. Magia Negra.

Como eu odiava isto.

“Porque é que o meu pai escolheu ser líder da Escuridão e não da Luz? Porque escolheu ele o mal e não o bem?”

Talvez nem tivesse escolhido, talvez tivesse sido obrigado a seguir este caminho, tal como eu estava a ser. Às vezes, quando conversava com ele enquanto contemplávamos as estrelas na floresta, parecia que ele não estava feliz. Parecia que tal como eu, se ele tivesse tido a mínima hipótese de escolha, não era esta caminho que ele teria escolhido. Se pudesse, não seria esta a vida que ele havia preferido.

Levantei-me da cama num salto e corri para a casa de banho. Já estava atrasada e o Steve vinha buscar-me daqui a meia hora.

Steve era o meu namorado. Sim. Acho que este era o termo correcto, apesar de não gostar muito da maneira como esta palavra soava.

Ele tinha dezassete anos, era apenas alguns meses mais velho que eu. Na verdade, quase um ano. Ele completara o seu último aniversário há dois meses, em Janeiro e eu só completava os meus em Outubro.

Olhei-me ao espelho sem vontade, o meu cabelo castanho cobre estava emaranhado, parecendo um fardo de palha. Os meus olhos verdes esmeralda estavam inchados - por ter estado a chorar - e as minhas olheiras eram profundas.

Fui para o duche com vontade, na esperança de que a água quente sobre os meus músculos me acalmasse. Pareceu resultar. No final sentia-me bem. Relaxada.

Quando entrei no meu quarto, olhei pela janela por cima da minha cama e reparei que estava a chover – para variar.Como eu odiava a chuva. Com tantos sítios para viver no território de Reinesland eu tinha de viver no sítio mais frio e chuvoso, Castellerne. Odiava viver aqui, odiava toda esta vida. Às vezes, preferia que este mundo mágico não existisse, e que todos fossem como eu, pessoas normais.

Bem, eu era normal. Ainda.

Daqui a dois anos seriam-me atribuídos os meus poderes.

Não que eu não os desejasse, mas às vezes…

Irritava-me este mundo onde a Magia Negra dominava!

Domínio, domínio, domínio. Há um ano que só conheço esta palavra.

Sirius estava tão obcecado em dominar todo o território de Reinesland e dizia que eu poderia vir a ser uma grande ajuda quando fosse poderosa. Era por este motivo que não queria receber os meus poderes. O meu tio estava constantemente a falar-me de planos e mais planos – onde me incluía sempre – para derrotar a Luz e governar o seu território.

Eu não queria isto!
Não queria matar para dominar.

Não queria converter a luz à escuridão. Já era suficientemente mau termos de viver em lugares separados por fronteiras dentro do mesmo território. Tinha tanta curiosidade em conhecer a sua cidade, em conhecer o seu mundo…

“Como seria Onislle? Como seria a Luz?”

 Quando afastei os meus pensamentos apercebi-me de que a minha pele estava arrepiada.

Suspirei e lá me fui vestir.

Hoje para apetecia-me ser diferente, então vesti um vestido – o que era raro. Um vestido negro, comprido, com o decote em V. Por cima vesti um casaco pérola para não ter frio enquanto estava em Castellerne.

O vestido até me ficava bem. Fazia um ligeiro contraste com a minha pele pálida, mas de resto, assentava-me bem.

Lá em baixo o Steve apitava no seu Ford preto para eu descer.

Prendi o meu cabelo mal penteado numa trança mal feita e desci a enorme escadaria de mármore tão depressa que até fiquei admirada por não ter tropeçado.

- Bom dia! – sorriu o Steve ao olhar-me de alto abaixo enquanto eu entrava no carro.

 

 

- Olá! – dei-lhe um beijo na face, estava fria.

 

Quando soube já as suas mãos tomavam o meu rosto e os seus lábios beijavam os meus ternamente. – suspirei.

 

- O que foi? – perguntou erguendo uma sobrancelha.

 

- Nada. Tive um sonho estranho esta noite. - todas as partes do meu corpo paralisaram ao pensar em tal imagem.

 

- Outra vez… - deixou a frase por terminar, pois eu sabia ao que ele se referia.

 

- Sim. – a minha voz estava dura e fria.

 

- Emmily, por favor já chega - o seu tom de voz alterou-se, estando quase a gritar. – Tens de aceitar o que aconteceu. Não podes estar constantemente a pensar nisso. Já passou um ano. Eles morreram, acabou-se! – ele era tão cruel às vezes. Mordi o lábio inferior e respirei fundo para não desatar a chorar.

 

- Olha Steve, escuta uma coisa, – a raiva era patente na minha voz – não me queres ajudar a encontrar o culpado, não ajudes! É uma escolha tua! Agora eu vou fazê-lo, mesmo sozinha percebes? – descontrolei-me completamente. As lágrimas corriam-me pelo rosto, uma atrás de outra.

 

Uma ligeira onda de pânico passou pelo seu rosto, acho que se apercebeu de que me tinha magoado.

 

- Não Steve! – gritei, quando a sua mão direita segurou firmemente o meu rosto, para que olhasse para ele. A outra segura segurava o volante do carro. Tentei libertar-me, mas não consegui. A sua mão segurava o meu rosto com uma força sobrenatural, chegando a magoar-me. Às vezes irritava-me mesmo o facto de ele ter poderes e eu não! “Mas porque é que os homens recebiam os poderes aos dezasseis anos, e as mulheres apenas aos dezoito?”

 

- Não foste tu que perdes-te o teu pai e a tua mãe! Não fazes ideia da falta de que eles me fazem, nem do quanto é difícil levantar-me da cama e enfrentar mais um dia neste estúpido mundo sem tê-los aqui, junto de mim. Não consegues perceber o que estou a sentir neste momento! – a sua mão libertou por fim o meu rosto e eu virei-o para o outro lado sem tomar atenção às árvores e às casas que passavam rapidamente através do vidro.

 

- Desculpa. – pediu. Não respondi nem olhei para ele.

 

- Emmily eu não queria magoar-te…

 

- Pois mas fizeste-o – interrompi. As lágrimas ainda corriam pelo meu rosto, apesar de não tão abundantemente.

 

Ele tentou limpá-las com as costas da sua mão direita mas como pareceu não resultar, e eu não disse nada, desistiu.

 

Permanecemos calados o resto do caminho até à escola em Araghon.

 

Araghon era o território neutro, a cidade onde a Luz e a Escuridão se moviam lado a lado, sem qualquer problema.

 

Quando o carro parou, preparava-me para sair do carro de rompante, mas ele agarrou-me pelo pulso. Mais uma vez, magoou-me.

 

Esquecia-se tão facilmente do quanto eu ainda era frágil…

 

- Estás a magoar-me – disse cruelmente.

 

Olhámo-nos durante um longo momento, segundos. Reparei que os seus olhos arrependidos estavam tão negros quanto o seu cabelo curto.

 

Sai de imediato do carro, batendo com a porta.

 

Lá estava eu às portas da escola de Araghon.

 

O medo percorria cada parte do meu corpo e desejei desaparecer para não ter que fazer aquilo.

 

 

 

Definitivamente não estava pronta para o que teria de enfrentar a seguir.

 

 

Continua...

 

 

 

 

 


 

publicado por Diana às 21:19

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5 comentários:
De Verónica a 15 de Junho de 2009 às 21:47
Ohhh eu quero ver o que vem a seguir, quero quero!

Tu tens um bom vocabulario Maria e aposto que a historia vai ser boa! :P

P.S - quando é que vem o proximo capitulo? xD
De renata a 15 de Junho de 2009 às 22:40
CONTINUA ASSIM !
adorei, tens talento :D
De Xila a 16 de Junho de 2009 às 21:08
Boa noite =)

Só consegui vir agora ao computador e por isso só agora é que vi a actualização do blog. Acabei agora de ler mais este excerto da história e deixem-me dizer que me cativou imenso. Acho que realmente está a ir num bom caminho e a nível linguistico esta expressivo e é possivel vislumbrar todo o decorrer da acção. Por outro lado acho que tens alguns problemas com os parágrafos, parece-me que os fazes em demasia e há ainda um pormenor a apontar.. "- Olha Steve, escuta uma coisa, – a raiva era patente na minha voz – não me queres ajudar a encontrar o culpado, não ajudes! É uma escolha tua! Agora eu vou fazê-lo, mesmo sozinha percebes? – descontrolei-me completamente. As lágrimas corriam-me pelo rosto, uma atrás de outra.



- Pois mas fizeste-o – interrompi. As lágrimas ainda corriam pelo meu rosto, apesar de não tão abundantemente. " parece-me que entre estas duas falas falta uma fala de Steve, é algo a rever.
Tirando isso acho que te tenho que dar os parabéns porque a historia esta realmente a avançar sobre rodas e esta indubitavelmente cativante ;)

******

De sofia a 18 de Junho de 2009 às 18:50
eu quero saber o que vai acontecer a seguir digam digam diagm pfff .
adoro a maneira como a historia cmeça
De Terere a 25 de Agosto de 2009 às 17:37
Impressionante..
Parabéns ;)
Adorei e mal posso esperar para ler o resto da história

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